por
Carter; Alex.
George era um homem triste, daqueles
visualmente abatidos, com uma pinta de homem letrado, acadêmico, um pouco
avoado; tinha um bom emprego em Standford, um dos professores mais antigos da
universidade; sessenta e seis anos e nunca fora sido casado. Há doze anos
iniciou um novo projeto em sua vida, recrutou jovens de dezoito à vinte dois
anos para um grupo fechado, com ideais reclusas e de fins duvidosos. Tinha em
mente criar uma irmandade, e apesar de sua idade um pouco ultrapassada, ainda
sabia exercer suas funcionalidades como psiquiatra. Induziu à mais de vinte e
dois jovens ao suicídio coletivo no dia quatorze de julho. E conseguiu.
Condenado à prisão perpétua, decidiu escrever
um livro, explicando e categorizando suas convicções e crenças baseadas no
antigo testamento e modificadas, por nada mais nada menos que, David Lavey.
Tinha concepções baseadas no ocultismo, satanismo moderno e inspiradas em
alguns pontos de vista inspirados por Nietzsche, em seus dois últimos livros.
Sua visão, apesar de sociopata, e psicopata, parecia ter uma certa coerência.
Expressou em suas vastas palavras seu conhecimento sobre os assuntos mais
obscuros já abordados pela humanidade, e dizia, como se já não fosse o bastante,
ser a reencarnação do criador da bíblia satânica. Suas faculdades mentais, como
fora sido constatado por antigos colegas de trabalho, não iam muito bem. Embora
não tivesse antecedentes criminais, antes do acontecido no passado com seus
pacientes adolescentes, foi diagnosticado como “perigoso e imprevisível” por
alguns dos psiquiatras e antigos colegas de trabalho que o haviam examinado.
Dois anos mais tarde, após o acontecido ter
sido publicado em todos os tipos de mídia impressa no país inteiro, e vagamente
ter sido esquecido por muitos dos cidadãos americanos, o Dr. Leonard Hopkins
decidira assumir o caso. Em muitas de suas seções com anotações que nunca foram
divulgadas, e se quer comentadas quaisquer de uma de suas consultas com o
“doutor maluco”, como George Pudwins fora sido apelidado pela imprensa, jamais
chegou a constatar cem por cento de insanidade mental de seu paciente, como foi
feito anteriormente por outros profissionais da área. Muito pelo contrário. O
doutor Hopkins assumia totalmente quaisquer riscos caso seu paciente fosse
solto, e consequentemente a responsabilidade sobre o mesmo. Logo no início de
suas consultas, chegou a enviar algumas cartas ao juiz responsável pelo “caso
do suicídio coletivo”, - como fora sido conhecido pela imprensa na década. – que
logo depois foram sido descartadas nas audiências seguintes.
O mais curioso, ou até mesmo bizarro em
relação ao caso, é que o Dr. Leonard Hopkins, em um depoimento sobre o caso do
doutor George, quando lhe foi feita uma pergunta sobre as crenças no satanismo
moderno, - e a crença do condenado como reencarnação do próprio criador da
bíblia satânica – o doutor Leonard Hopkins dissera ser um adepto do “movimento”,
além do mais, disse crer nas palavras de seu cliente e que, como forma de
respeito por parte do juiz, exigiu reconhecimento do satanismo moderno como religião.
Na madrugada de doze de setembro de mil
novecentos e quarenta e sete, o doutor George Pudwins suicidou-se em sua cela
com um pedaço de corda feito a partir de trapos de seus lençóis de colchão.
Como despedida, o doutor deixara uma carta, dizendo que suas missões naquele “plano físico” (palavras
do próprio), tiveram sido concluídas. Para entender melhor, segue abaixo uma
cópia da carta:
Tudo que precisei eu
conquistei, embora um dos efeitos colaterais, e a resposta que menos procurei
fosse, no caso a atenção da mídia, consegui alcançar meus objetivos. Peço a
todos vocês, devotos do grande filho-da-luz, que O aguardem, pois eu, como mero
serviçal, posso lhes garantir que, apesar dos esforços, e muitas das vezes nós
temos falhado, somos uníssono. O dia do juízo final está chegando, e nós, os
soldados Iluminados, vamos aos poucos entupindo de ódio e subversão o coração
de todos, novatos e veteranos, com sentimentos controversos e visões
subjetivas. Aos muitos que não me entendem, eu digo, está próximo;vão um dia,
com certeza um dia, me entender. E aos que já me entendem, aguardem; nossos
dias, como contados há anos por Abdul, há de chegar. Fui mais um que utilizou
um hospedeiro, mas que tenho o poder suficiente, para contrapor até a força do
dinheiro. É nessas horas, irmãos, que mais precisamos da ajuda de vocês. É com
muito orgulho que deixo o plano físico, pois já concluídas minhas missões, e
encontrado a porta mais rápida para a casa do onipotente supremo - o suicídio -,
retorno ao meu plano original
post-mortém, localizado no plano
espiritual após o plano etéreo, e que vos digo, aguardem-nos, nossa revolução
não será em vão.
Aguardem meus irmãos, em breve esta mensagem será compartilhada pela mídia, e suas pupilas dilataram diante a força da ira do máximo e perfeito anjo-de-luz! Aguardem-vos como vossa alteza nos aguarda!
Aguardem meus irmãos, em breve esta mensagem será compartilhada pela mídia, e suas pupilas dilataram diante a força da ira do máximo e perfeito anjo-de-luz! Aguardem-vos como vossa alteza nos aguarda!
Hoje o caso se encontra arquivado em muitas
das bibliotecas do país, e é analisado quase diariamente por estudantes de
psicologia e teologia do país inteiro. Embora possa parecer uma história bem
vaga, há muitas pessoas, até hoje, intrigadas com toda a trajetória. Com
certeza, e inevitavelmente, esta fora uma das histórias de insanidade repentina
com mais repercussão no mundo acadêmico da década de cinquenta/sessenta; e
indiscutivelmente, a história com perguntas mais solenes nunca respondidas de
nossa época.
The Psicological Magazine.: Art: O estranho caso do Dr. George Pudiwns
09/12/1967- por Alex Carter
por Cauê Paz /
(Coletânea de Contos)Projeto Conjunta
Congrats Sir Cauê! Muito bem escrito,mas confesso que os contos desde da minha adolescência,me causam um certo...desconforto (acho que seria esta a palavra...),são sempre tão cheios de mistérios,e deixam no ar,dúvidas das verdadeiras intenções...eu particularmente acho quase tds que li - sinistros!
ResponderExcluirNão julgo sinistro o conteúdo (iluminismo,bíblia satânica,filosofias de Nieztsche...),mas acho que a genialidade e a insanidade andam quase de mão dadas,eu mesma já me achei louca por causa de certos pensamentos.
Certamente,a Bíblia Satânica,é uma das impulsoras do comportamento 'EU',a maioria das diretrizes dela,é baseada na evolução do ser,com relação a ele mesmo e não a nada externo,aliás gosto muito! Viver de acordo com este tipo de princípio te deixa descrente de muitas coisas,coloca em cheque o comportamento alheio,mas o seu próprio comportamento é alterado...é como se uma visão mais clara das coisas,tbm fosse uma maldição.É claro...agora estou indo além do conto,estou analisando por uma âmbito maior,e de experiências próprias. Enfim...internet...as palavras e as gdes idéias ficam mais claras,se trocadas pessoalmente! Ótimo conto,mas sinistro...