Voltei para meu quarto e chequei minha mochila.
- Putz! Vou perder a hora, vou deixar para comer algo no caminho mesmo. O dia nem começou e eu já estou desiludido - parei por um segundo e pensei em como poderia ter um tempo a mais para min mesmo.
Caminhando rápido para não perder o ônibus, acabei esbarrando em uma garota que vinha de fronte.
- Desculpe você está bem? Foi sem querer.
- Estou bem, relaxa!
A garota se levantou limpando o bonito vestido florido e me olhou fixamente com um olhar curioso. Ela seguiu o rumo dela e eu continuei o meu caminho.
Andei poucos metros até ouvir a voz da garota novamente:
- Heeeei!!
- Oi?
- Você não acha que deveríamos ter nos esbarrado hoje?
- Está falando de destino?
- Não, apenas de como você mudou nossas vidas.
Mas que porra é essa?! Pensei. Esqueci completamente da minha obrigação, na verdade a vontade de jogar tudo para o alto falou mais alto. Comecei a caminhar aleatoriamente com a garota e fui ouvindo suas teorias malucas de como cada ação feita ou não feita pode influenciar diretamente na vida de cada pessoa em que entramos em contato.
-Você acredita em destino?
- Está dizendo que foi nosso destino ter nos trombado hoje de manhã Sofia?
- Talvez..
- Se for destino... - Eu disse. - Certamente não podemos influenciar ou mudar o futuro de alguém. E tudo que você me disse foi pura merda.
- E se você morrer agora? Vai para o céu ou para o inferno? E se sua vida realmente acabar e não existir mais nada após? E se essa vida for pura Ilusão? Qual objetivo?
- Não sei... Para uma garota de 12 anos você é bem curiosa e estranha!
Sofia não saberá as respostas, pois a vida dela acabará aqui. Doze de maio de dois mil e treze, ás quatro e trinta e sete da tarde.
por Paulo Farias /
(Coletânea de Contos)Projeto Conjunta

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